Deguste

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terça-feira, 30 de junho de 2009

Oda al caldillo de congrio

Pablo Neruda escreveu este poema suculento em 1999 na cidade de Buenos Aires e está presente no livro Odas elementales,1999. Este poema dedicado ao caldillo de congrio que é uma sopa de peixes fantástica vale a pena ser preparada. Quem quiser a receita clique aqui. Está em espanhol, mas nada que um pouco que esforço não resolva.

En el mar
tormentoso
de Chile
vive el rosado congrio,
gigante anguila
de nevada carne.
Y en las ollas
chilenas,
en la costa,
nació el caldillo
grávido y suculento,
provechoso.
Lleven a la cocina
el congrio desollado,
su piel manchada cede
como un guante
y al descubierto queda
entonces
el racimo del mar,
el congrio tierno
reluce
ya desnudo,
preparado
para nuestro apetito.
Ahora
recoges
ajos,
acaricia primero
ese marfil
precioso,
huele
su fragancia iracunda,
entonces
deja el ajo picado
caer con la cebolla
y el tomate
hasta que la cebolla
tenga color de oro.
Mientras tanto
se cuecen
con el vapor
los regios
camarones marinos
y cuando ya llegaron
a su punto,
cuando cuajó el sabor
en una salsa
formada por el jugo
del océano
y por el agua clara
que desprendió la luz de la cebolla,
entonces
que entre el congrio
y se sumerja en gloria,
que en la olla
se aceite,
se contraiga y se impregne.
Ya sólo es necesario
dejar en el manjar
caer la crema
como una rosa espesa,
y al fuego
lentamente
entregar el tesoro
hasta que en el caldillo
se calienten
las esencias de Chile,
y a la mesa
lleguen recién casados
los sabores
del mar y de la tierra
para que en ese plato
tú conozcas el cielo.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Ano da França no Brasil, ou melhor, dos franceses!

Hoje resolvi folhar e ler um pouca da revista Go'Where Gastronomia da editora UnitedWay e fiquei contente com a qualidade dela. Principalmente pela quantidade de anúncios. Mamma mia!
Olha!, em 148 páginas, desde a capa ao último anúncio da Art des Caves que produz adegas compatíveis com qualquer casa que haja uns 0,5m² para colocá-la, são cerca de 40 páginas completamente CHEIAS de publicidades... Perde só para a Veja, da Abril, campeã de anúncios. É uma poluição visual sem fim. Isso não tem problema. Afinal a revista precisa viver. Ter cash para poder manter-se. Nada de anúncios, nada de nada. Já a Veja...Abril e veja. Veja a quantidade de anúncios que tem, que tenta vender, que inferna, que cansa, que chega a doer a retina.

Go'Where Gastronomia, Ano IV, Nº30, R$9,90.

Na capa é encontram-se os chefs, todos franceses ou de origem francesa: Laurent Suaudeau, Fabrice Le Nud, Erik Jacquin, Claude Troisgros e o pop star Emmanuel Bassoleil.
Lá na revista eles chamam de Revolução Francesa. Eles tem razão. O famoso pâtisserie Le Nud, vem do palco onde ocorreu o dia D em 6 de junho de 1944 [Normandia - França], é proprietário e chef da Pâtisserie Douce France. É o francês recordista no meio gastronômico. Está há 30 anos por aqui. Já venceu seu visto e passou tempos na Amazônia, Piauí e Rondônia. Conheceu a fundo as tipicidades brasileiras e temperos. Genial. É um senhor padeiro.

Erick Jacquin amou o Brasil. Veio a passeio e acabou por ficar aqui. Agora tem uma Brasserie, ou seja, uma doceria. Uma das casa francesas mais sofisticadas de São Paulo! Na La Brasserie Erick Jacquin não existem papas na língua.
-É caro? O sr. está economizando uma viagem a Paris! - essas são as palavras de Jacquin quando um cliente reclama do preço. Ele tem seu rigor. Conhece a cozinha e pode falar. Já a respeito de suas papas... Deixo por conta da personalidade apimentada.

Outro a chegar ao Brasil para passar um tempo e acabou por ficar é Laurent Suaudeau. Chegou ao Brasil com uma experiência gastronômica francesa invejável. Veio para trabalhar para a grife do chef francês Paul Bocuse, considerado um dos melhores do séc. XX!!! Uma máquina gastronômica. Laurent chegou a trabalhar muito tempo no Brasil. Se irritou com a qualidade dos alimentos naquela época e por fim veio a abrir sua escola. Também genial! Adora os frutos amazônicos e tropicais. Lida muito bem com eles...

Menu Confiance = Claude Troisgros. Talvez seja o mais conhecido entre os 5 chefs da capa da GoWhere, pelo programa na GNT. Engraçado e com sotaque PESADO é um dos precursores da cozinha francesa no Brasil. Ama o país [o nosso] e sabe como utilizar os instrumentos gastronômicos desse país varonil. Talvez seja ele um dos mais expresivos representantes do ano da França no Brasil. Diz:
-É muito difícil ser simples [ele tem razão]. A gente sempre tem que complicar. Isso só se aprende com a idade e a sabedoria. O caminho é longo e, às vezes, nem se chega lá. - Ele tem a completa razão. Merda. Quero chegar lá.
Confesso: tem mani de complicar. Não digo que fica ruim. Mas quando tendo a simplificar tudo melhora. Inclusive a capacidade das pessoas se entenderem o que fiz.

A Go'Where disse que ele serve cerca de 50mil refeições, café da manhã aos baquetes no luxuoso Hotel Unique. Ele tem o site mais elegante entre os 5, vale a pena conferir, confira aqui. Não tenho, até o presente momento, nenhuma predileção entre os 5 digníssimos da culinária francobrasileira. Mas o cara é simplesmente simples. O Skye é chefiado por ele mesmo. Emmanuel Bassoleil colocou o Skye entre os melhores restaurantes de hotel do MUNDO. Ele vem de Dijon, a mesma região da famosa e deliciosa mostarda... genial! [novamente]. Estudou com Bocuse, trabalhou para Pierre Troisgros, em Roanne. Para ser claro e objetivo: o cara está entre os melhores do Brasil. Orra, meu!

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Evacuemos! Evacuemos!

[não se chateie com minha introdução, ela tem um fundamento introdutório interessante, e informativo, diga-se de passagem]

O Brasil começou a evacuar. A gastronomia do nosso país está confusa. Parece que o Brasil foi o único contagiado através da carne de porco. Mas não contaminou-se da INFLUENZA A [H1N1], mas de um grande efeito SALMONELLA. É um tal de evacua criançada da escola, aproveita-se que estamos perto das férias e emenda-se a semana. O alarde é grande. O pavor é pior ainda. Um indíviduo sozinho é muito esperto. Mas a massa é burra. Fica com medo e evacua. Parece minha cachorrinha quando era pequena, ficava com medo e plof!. Ok, é uma medida preventiva. Os hospitais não têm estrutura para receber todos os infectados em potencial, o Brasil precisa manter uma boa imagem para o resto do mundo para manter a economia saudável, ao contrário dos 399 contaminados, até agora.
-A economia vai bem por aqui, sr. Estados Unidos. E por aí? Muitos mortos da nova influenza A?
-Já são cerca de 90 mortos, caro Brasil. Vejo que estás tomando medidas preventivas. Muito bom. Acho que vou lhe exportar mais 3,29% esse trimestre. Bom garoto!

MAS ESPERA AÍ! A OMS, Organização Mundial da Saúde, estima que 50 a 100 MILHÕES de pessoas se contaminem com DENGUE POR ANO NO MUNDO e cerca de 20mil MORREM!
Ok, é um vírus novo. Não temos vacina. Não sabemos nada. Tudo começou em março, provavelmente no México e zupt! pro resto do mundo. Tudo bem, não queremos que ela se alastre, que se sustente, que nos devaste. Me dê um H, me dê um 1, me dê um N e outro 1! H1N1! Os EUA estão desesperados, isso só potencializa a crise por lá, por isso o alarde???????
Aí o Brasil criou até o assim tão grandemente chamado GRUPO EXECUTIVO INTERMINISTERIAL PARA IMPLANTAÇÃO DO PLANO BRASILEIRO DE
PREPARAÇÃO PARA UMA PANDEMIA DE INFLUENZA.
O sr. Ministro da Saúde parece estar muito bem preparado. Deu uma dose indireta de salmonella à população e a mídia e deu-se a merda.
O Brasil está evacuando. E o México também. Caiu em 40% o tráfego aéreo por lá depois da confirmação da detectação do H1N1. No mundo a queda no tráfego aéreo foi de 9.3%, afirma a IATA, Associação Internacional de Transporte Aéreo. EÔ! EÔ! EÔ! ESSA GRIPE É O TERRÔ! Tem muito blá, blá, blá.
A Unesp também evacuou. A UEL, Universidade Estadual de Londrina, também evacuou depois de saber que uma INFECTADA passeava pelo câmpus. Segunda-feira eles irão rever a abertura do câmpus. Faremos planos de contingência. Planos mirabolantes.

Mas e a carne de porco? Todos esqueceram-se da velha salmonella typhymirium, da cisticercose. A estrela do momento e a gripe de nome italiano que contaminou 19.273 em 66 países e matou 117 até o dia 4 de junho!
Segundo o Portal da Saúde do Ministério da Saúde de Portugal, ''o vírus da Gripe A(H1N1) não é transmitido pela ingestão de carne de porco ou derivados devidamente confeccionados. Esta nova estirpe não foi, até à data, observada em animais e não há indícios de que o vírus tenha entrado na cadeia de produção. Tanto a Autoridade Europeia de Segurança Alimentar como o Centro Europeu de Controlo de Doenças desconhecem qualquer evidência científica que sugira a possibilidade de transmissão do vírus por consumo de carne de porco e derivados. Na possibilidade de que venha a ser observada a presença do vírus na carne de porco, uma correcta confecção - a temperaturas internas superiores a 70ºC - irá eliminá-lo de forma eficaz, tal como acontece com os outros vírus e bactérias habituais. Recorda-se, no entanto, que, independentemente dos gostos gastronómicos individuais, a carne de porco deve ser sempre consumida "bem passada". Recomenda-se, igualmente, que as mãos sejam lavadas abundante e periodicamente, bem como todos os utensílios de cozinha. Estas recomendações são, aliás, as habituais para uma higiene adequada na cozinha.''

NÃO DEIXEM DE COMER CARNE DE PORCO POR UM FREJO MUNDIAL.


n.f.: não se esqueçam da nossa amiga SALMONELLA!

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Uma tarde no campo 2

Logo depois do almoço João apareceu sem o menor alarde.
Toca o telefone do hotel. Trim! Trim! Trim!
-Alô? Senhor Bernardo? - disse o recepcionista enterrompendo meu almoço. Coisa que me deixa extremamente feliz [leia-se com MUITO SARCASMO]
-Sim, sou eu. Pode falar - disse eu meio inquieto.
-O seu amigo João está aqui.
-Pode passar.
-Alô, neguinha! Desce aí, estou te esperando!
Falei com um tom de surpresa:
-Aqui em baixo? Nossa, calma aí, vou escovar os dentes e desco já, já!
Quem me conhece sabe que meu "já, já!" leva muito mais do que o real sentido do já, já.

Desci e ouvi um:
-O neguinha, cê é enrolado, hein!?
Ok, ele tem razão. Gosto da sua sinceridade.
Pegamos o carro e assim em risadas fomos ao sítio. Sempre rimos muito e falamos de projetos gastronômicos e bobagens mil. Rimos e nos divertimos.
Que lugar lindo. Puta seu.
Enquanto ele mexia na terra fiquei lá pensando na vida. Lendo livros de sustentabilidade e tentando estudar a sombra de um limoeiro, carambolas ainda verdes, porém amarelas.
Baixas figueiras sem folhas sofriam ao sol. Coitadas atemóias secas compunham a paisagem.
Vi ali uma gastronomia ainda crua.
A horta ainda no projeto. Ainda só demarcada.
As frutas verdes. Já imaginei um belo CEVICHE sendo preparados com esses limões galegos. Se você gosta de frutos-do-mar PREPARE-SE, MEU AMIGO!
Esse pode ser um dos seus pratos preferidos! É originário de todo o pacífico, por envolver frutos-do-mar e abacates.
Pegue os frutos-do-mar que você mais gosta. Lula, polvo. peixes variados, atum cru, camarões...
Corte-os em pedaços graudos. Misture com abacate em cubos, uma quantidade legal de coentro fresco picadinho, umas duas cebola roxa, suco de limão até cobrir a mistura crua, azeite de oliva de boa qualidade, e um pouco alho amassado.
Deixe repousar por umas 3 horas, ou até o peixe ficar cozido. É ISSO AE. OS FRUTOS DO MAR COZINHARÃO NO LIMÃO.
Originalmente nos países do Pacífico se come com os choclos, uma espécie de milho. Se não houver choclos podem acompanhar deliciosas tortilhas ou até em ÚLTIMISSIMA INSTÂNCIA o tal do Doritos. Eu pessoalmente acredito no pode do milho não industrial e tão cheio dos "antes".
Conservantes, umidificantes, espessantes, acidulantes. Vá catar coquinho. Blé!
Depois dessa ida à Alpha. Voltei a realidade e a hortinha demarcada.
Carpimos arduamente uns 2m² de terra [rsrsrs...] e resolvemos que era hora de nos alimentar.
Mexirica era o objetivo.
Descemos um pouco a colina menor e peguei com pressa aquilo que parecia ser uma doce mexirica. Doce ilusão, ou melhor AZEDA ilusão. Fiquei como se houvesse um centro de gravidade em meu nariz. Fiz um bico bem apertado. Meus olhos de fecharam. Cuspi. Blé!, que azedume.
Era limão.
Eis que vou a outra árvore vizinha. Azeda ilusão. M$#%&!!!!!
João que não se aguentava de rir perguntou ao caseiro:
-Viu, seu Tarciso, as mexiricas estão aonde?
-Lá em baixo, Jão! - respondeu como se fosse algo óbvio.
E eu ainda com a cara amarrada. Azedo.
Pegamos o carro atravessamos galinhas, pintinhos, cavalos, cachorros, filhotes, vacas e o sr. que arrenda a terra.
Deixamos o carro numa boa altura e descemos a pé. Mamma mia!
Que descida.
Ouvimos Toc!, Toc!, Toc! e não sabíamos d'onde vinha.
Olhamos para cima. Era um PICA-PAU de cabeça vermelha. Jóia!
Ganhei minha tarde.
Pegamos mexiricas. Azedas por sinal. Na volta, já dentro do carro, escutamos AHHH!. Era uma MARITACA verde. Passou. Voou, gritou e nos surpreendeu.
Que tarde!
Voltamos a sede do sítio, conversamos mais um pouco e assim fomos embora..
Que segunda-feira.
Tudo isso é gastronomia. É a maritaca que ajuda a polinizar as árvores que um dia darão frutos e condirão meu CEVICHE, é a vaca, por motivos óbvios e a tarde linda que me encanta e me azedou a boca.
Azedo.

terça-feira, 23 de junho de 2009

Uma tarde no campo!



Ontem o dia estava lindo. Belo céu, poucas nuvens. Muitos passarinhos, muita vida. E eu em casa. Produzindo lentamente minhas produções. Nhec, nhec, nhec no andar da manivela. João, UM grande amigo, me liga:
-Alô!
-Alôôôô? - respondo.
-Fala, neguinha! - diz João num entusiasmo ímpar.
-Oi... - respondi com voz enfastiada.
-Que vai fazer hoje logo depois do almoço? - Ele parecia que realmente tinha algo muito bom pra fazer. E realmente tinha. Quem me dera ter uma bola de cristal. Droga.
-Ah, cara, nem sei. Por quê?
-Eu vou lá na chácara da Larissa. Preciso começar a arrumar a hortinha lá, sabe?! Tá afim de ir junto?

[pausa para explicações sobre essa chácara]

São cerca de 13 alqueires maravilhosamente dispostos sobre verdes colinas frondosas com árvores magníficas e, claro, frutíferas. Um assombro. Uma sede, cuja casa, infelizmente, pegou fogo. Triste. Mas nada que o tempo não ajeite. Muitas MANGUEIRAS, mexiriqueiras, limoeiros [galegos, caipiras, rosas], pés de carambola, de pinha, de atemóia. Um deslumbre.

[voltando a ligação com o João]

-Ah, cara, nem sei. Tenho prova na quinta e tal. Preciso estudar, meu... - respondi preguiçosamente pensando em ficar em casa tentando estudar algo que provavelmente eu estudadaria um dia antes da prova.
-Ah, nega, vâmo aí! Você pode ficar lá estudando e eu cuido da horta. - disse ele ainda não contagiado pelo meu terrível desânimo.
-Ah, nega, brigadão, mas eu passo desta vez. Sérião preciso estudar. Na quarta de manhã não terei aula. Aí podemos ir, pode ser? - Relutei tentando desconversar e me livrar de uma tarde maravilhosa no campo.
-Ok, então a gente se fala na quarta. - Combalido e aceitoso da minha resposta.
Foi o tempo de eu ir ao banheiro e tirar a água do joelho para decidir ir.

-Alô, Jãããão! - Disse eu como quem não o via a séculos.
-Fala, nega! Resolveu ir né?! - Falou o sabio João como quem já estava esperando meu arrependimento....

amanhã eu continuo a história, ok?

domingo, 21 de junho de 2009

Você é o que você come!


Você é o que você come!

faça o teste no site da Terra. Vale a pena. Comigo deu certo! CLIQUE AQUI
eu hein!

Nada como O Jardineiro Vegetal de Giuseppe Arcimboldo, um pintor italiano do século XVI que muito admiro, e imagina-se o por quê!

terça-feira, 16 de junho de 2009

E a minha contribuição?


Hoje acordei bem felizinho. Um pouco atrasado para faculdade e, felizmente, cheguei no horário. Estudei. Sabe, me acho um bom aluno. Não é presunção, não... Sento lá na frente, presto atenção, faço meus deveres, pergunto e até gosto do que faço ali. No intervalo como algo e volto para a aula. Ouço a segunda aula. O professor sacia algumas dúvidas antes da prova que será nessa quinta e então abre espaço para dúvidas específicas, ou seja, individuais. O que acontece? Todos vão-se embora. Ok, eu também saí. A saída antes da hora foi apenas 30min antes do esperado final de aula.

Ando meio preocupado e o motivo acho que é por eu ser impertigado com tudo. Não consigo ficar quieto e deixar a poeira assentar nas coisas... sempre tenho que estar mexendo, corrigindo, alterando, relendo, remodificando, adicionando. Sempre acho que NÃO ESTÁ BOM. E com isso fico sempre achando que nada está bom MESMO.
E hoje quando sentei aqui para ler e-mails, e correr na internet [não sei surfar, portanto acho que correr é muito mais minha cara, enfim...] e foi então que me perguntei, a essa altura do campeonato: e a minha contribuição com a sociedade?
Será que toda essa história de NEOGASTRONOMIA, nutrição, boas maneiras e contestações meio socialista-progressista-saudável iria levar a algum lugar?
Eu que consumo o sumo da produção alheia. Eu que leio e corro e pergunto e reclamo e aceito e pergunto e não gosto da respota e tento mudar e corro atrás e por pouco não desisto e volto a ativa... Minha contribuição aqui é quase, senão totalmente, irrizória. Estou devolvendo muito paulatinamente à sociedade. Ah, tenha dó!
Aliás, não tenha dó, não! Antes dessas minhas tão não contribuidoras e públicas lamentações eu iria escrever sobre GORDURA SEM CONSEQUÊNCIA. Iria ser bacana. Mas toda a onda da saúde? Exato, os benefícios da gordura. É, ela faz muito bem.
Há séculos os franceses comem foie gras, MUITA manteiga, óleo, azeite, carne e et cetera e têm uma expectativa média de vida de 78,76 anos, segundo o INDEX MUNDI, enquanto no Brasil, essa expectativa está na casa dos 72,51 anos PORQUE SUBIU!!!!!!
A Argélia está na nossa frente. Ok, não é uma corrida. Mas saiba, a gordura não é um fator limitante da Expectativa de Vida.
Mas o que me é saber se o que faço agora, o que pesquiso aqui, o que questiono será um dia relevante. Sei que somente o tempo irá dizer, portanto dê tempo ao tempo.
Mas [outro 'mas'?] as pessoas são o que elas comem! Isso é verdade. Hipócrates há cerca de 2500 anos disse: "FAÇAS DE TEU ALIMENTO TEU REMÉDIO, E DE TEU REMÉDIO TEU ALIMENTO". Meu pai sempre foi uma daquelas pessoas muito sábias, não somente pela experiência de vida [ele tem 54], mas pela natural sabedoria das coisas. Eu precisei amar a gastronomia e querer GASTRONOMIZAR tudo e todos para enfim achar essa frase de Hipócrates e saber o que ele, também por ser médico, já sabia. Ele vive a praticamente nunca precisou tomar remédios por um médio ou longo período de tempo. Sempre teve aquela inteligência a mais. Impressionante. Come suas gorduras, come seus doces, pratica corrida desde os 19 anos e nunca parou. Expectativa de vida? Bem acima da média acredito eu.
Desde o início do dia de hoje até agora, segundo o Poodwaddle, no mundo consumiu-se:
549.683 bois
41.734 búfalos
87.399.091 galinhas
4.320.965 patos
1.013.336 gansos
8.597 cavalos
1.118.183 toneladas métricas de LEITE
116.695 toneladas métrica de OVOS
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se quiser ficar louco com estatísticas siga o link do EARTH CLOCK!
[post estranho esse]

quarta-feira, 10 de junho de 2009

FRACASSO DO MODELO DE AGRICULTURA INDUSTRIALIZADA

Comitê Internacional para o Futuro da Alimentação e da Agricultura [com sede em Florença, Itália] escreveu em 2006 o MANIFESTO SOBRE O FUTURO DA ALIMENTAÇÃO, cujo preâmbulo trata do 'Fracasso do Modelo de Agricultura Industrializada'. Eis aqui a primeira e a segunda parte do preâmbulo. Que coisa linda!



"O crescente impulso na direção da industrialização e globalização do mundo quanto à agricultura e ao estoque de alimentos coloca em perigo a natureza e o futuro da humanidade. A agricultura comunitária local bem sucedida alimentou o mundo por milênios, conservando a integridade ecológica e continua a ser assim em grande parte do planeta. Entretanto, ela vem sendo rapidamente substituída por sistemas corporativos controlados, baseados em tecnologia, para monoculturas, orientados para exportação. Esses sistemas de “ausência de propriedade” trazem impactos negativos para a saúde pública, a qualidade alimentar e nutricional, os meios tradicionais de subsistência (artesanal e agrícola), e para as culturas autóctones e locais, enquanto aumenta as dívidas de milhões de agricultores e o distanciamento desses agricultores das terras que tradicionalmente alimentaram comunidades e famílias. Esta transição está aumentando a fome, o número de pessoas sem-terra e sem-teto, o desespero e os suicídios dos agricultores. Ademais, ela está degradando os ecossistemas do planeta e aumentando a alienação de populações do planeta inteiro quanto à natureza e quanto à conexão histórica, cultural e natural dos agricultores e de todas as outras pessoas com as fontes de alimento e de subsistência. Finalmente, ela colabora para destruir os alicerces econômicos e culturais das sociedades, ameaça a segurança e a paz e cria um contexto para a desintegração social e a violência.

• • •


Intervenções tecnológicas vendidas por empresas multinacionais como panacéias para resolver problemas mundiais de “ineficiência em produção de pequena escala” e para supostamente resolver a fome do mundo, tiveram exatamente o efeito oposto. Da Revolução Verde até a Revolução Biotecnológica, até o impulso atual para o alimento com irradiação (alimento irradiado), intromissões tecnológicas nos meios de produção locais históricos e naturais aumentaram a vulnerabilidade dos ecossistemas. Trouxeram a poluição do ar, da água e do solo, e criaram uma nova poluição genética, de volúveis organismos modificados geneticamente. Essas tecnologias e sistemas corporativos de monocultura exacerbam seriamente a crise do aquecimento global pela sua profunda dependência de combustíveis fósseis e descarga de gases e outras matérias. Só esse fato recente – alteração climática – ameaça minar toda a base natural da agricultura ecologicamente benigna e a preparação de alimentos, trazendo a probabilidade de efeitos catastróficos num futuro próximo. Além disso, sistemas de agricultura industrial certamente não trouxeram aumento na eficiência da produção, se considerarmos os custos ecológicos e sociais desse modo de produção, e os imensos subsídios públicos demandados. Eles não reduzem a fome; fazem exatamente o oposto. Eles têm, entretanto, estimulado o crescimento e a concentração de um pequeno número de gigantes da agricultura mundial que agora controlam a produção global, em detrimento dos agricultores locais, do abastecimento alimentar e de sua qualidade, e da capacidade das comunidades e nações de conseguir autonomia quanto à alimentação básica."

terça-feira, 9 de junho de 2009

Umanità cieca!


Oggi immagino che questo postaggio in particolare non piacerà ai non lettori della meravigliosa lingua italiana.
Ho cambiato la lingua ma non l'approccio del blog. Quando ero in Italia, lo scorso anno, abitai insieme una brasiliana [a parte gli altri italiani] molto amica che un bel pomeriggio del lunedì 26 mi regalò un libro molto speciale il cui contenuto io non conoscevo un bel niente. Si trattava di una raccolta delle ricette del Senegal! Mamma mia! Senegal...
Mia unica referenza del Senegal erano quelli uomini neri e giganti che, stando nella piazza del Duomo di Ferrara, vendevano dei libro a chiunque fosse. Una vera strage commerciale. Addirittura abbordavano i turisti a forza. Mettevano un libro nelle tue mani ed ecco fatta la vendita. Finché quello povero abbordato non comprasse il libro, quel tipo senegalese non se ne andava. Tipi pallosi, direi.
Quello che perfino importa è ciò che sta quaggiù:

"È il nostro primo piatto, il numero uno, è la nostra bandiera, è la nostra nostalgia quando siamo lontani dalla nostra patria. Il suo nome è Thieboudienne. Mio fratello dice sempre: 'Chi avrà mai inventato questo piatto? Se conoscessi gli darei un premio.' Nessuno in Senegal può stare cinque giorni senza mangiarlo, è impossibile, a casa mia non è mai successo. Si mangia nei giorni di festa e in quelli normali. Si mangia di giorno o di sera indifferentemente, ma al 70% delle volte a pranzo. Si digerisce bene, ci sono dentro i gusti di tutti i tipi; quando lo mangio sento un piacere intenso, molto forte. Piace a tutti, a vecchi e bambini. I vecchi però non lo vogliono troppo duro, brontolano se è troppo secco." [pezzo preso del libro In Senegal si cucina così, per Penda Thiam].

Allora, te devi star a pensare che cibo sarà? Ma cosa potrà essere così buona? Bene. Illuminerò la vostra conoscenza! La cosa di cui parlava Panda Thiam è il riso con pesce. Si. Riso bianco semplice e pesce molto bene condito. Per quelli che non capiscono bene il portoghese scritto, nel postaggio qua sotto parlo della nuova tendenza della valorizzazione del SEMPLICE. La semplicità sempre allegata alla qualità è una nuova tendenza che futuramente sarà una mega tendenza.
Ma nel frattempo dovremmo tutti noi imparare a guardare e comprendere le cose semplificate. Non parlo qui delle cose non fatte per bene ma si di una semplicità obiettivata. Come lo scopo iniziale.

Detto questo, mio punto di focus, anzi mia domanda è questa: come mai dopo circa 250 mille anni della esistenza dell'homo sapiens inizialmente nell'Africa, l'uomo può aver conquistato tutto il mondo, si sviluppato intellettualmente ed economicamente nell'Europa, commercialmente negli Stati Uniti mentre succhiava tutte le risorse in Africa e non AVER MAI PERCEPITO che proprio lì, nel continente africano abita l'essenza, la semplicità ed il cuore dell'umanità? Causando adesso dei movimenti intellettuali e gruppi di studi per svolgere ciò che oramai sanno per esperienza gli africani e un giorno anche noi conoscemmo?

segunda-feira, 8 de junho de 2009


É uma nova viaaaagem...


Por incentivo de minha mãe, sempre ligada nas minhas “viagens” gastronômicas e contestações do mundo, acabei por ler uma das conclusões de um livro que traz excelentes considerações à contemporaneidade chamado "Consumo Autoral", organizado por Francesco Morace [editora Estação das Letras, 2009].
O título de uma das conclusões sugerida por mamãe chama-se " Um futuro intergeracional entre o turismo e a domesticidade". O título parece ser pedante. Mas não o é. Quando está escrito intergeracional [leia-se geracional relativo às gerações: 20, 30, 40, 50 anos e 60 acima].
Bom, depois de todas as complexas, justas considerações e conceitos futuros completamente aplicáveis a nossa realidade, Francesco Morace, aborda "a casa do futuro e a função das novas gerações". Lindo!
Quase chorei...hahaha
É uma visão exuberantemente holística da GASTRONOMIA e suas externalidades!

Aí vão alguns trechos que achei realmente fantásticos:

"...as qualidades estruturais, físicas, serão próximas daquelas hoje existentes na arquitetura, caracterizadas, porém, por uma fruição do espaço mais flexível e informal".

A frase em negrito mostra a nossa futura necessidade de nos flexibilizarmos bem como também nossos espaços domésticos. Não digo em um modo tolo e passivo às ações e pressões do mundo, mas sim numa maneira adaptável e flexível em seu real sentido. Também informal pois o formalismo dispendioso de energia e desnecessário será descartado, dando lugar ao aproveitamento, à FRUIÇÃO de um espaço flexível assim como nós [futuramente] o necessitaremos ser.

ainda falando da casa e da domesticidade...

"Será um lugar acolhedor para todas as gerações, e acima de tudo será o território no qual os seus habitantes [moradores] poderão dar voz aos seus sonhos e esperanças.


LINDO.


O que se ressalta nesse parágrafo é a valorização das respectivas individualidades de cada geração. A casa deverá ser, além de informal e flexível, algo que estimule seus moradores a tornarem ao momento da vida em que tudo era lindo e sonhar, diferente de hoje, não era algo intermitente entre anos. A infância. Uma vontade constante de sonhar e realizar. Onde a esperança está para você assim como sua própria sombra. Sempre ao lado.
O básico. Os elementos standard do nosso cotidiano serão cada vez mais supervalorizados. É o momento do simples, porém, claro, com sua devida qualidade. É a simplificação do rebuscado. O barroco está em queda.
Nada de luzes, sedutoras pirâmides multicoloridas ou carros absurdamente monstruosos para carregar um indivíduo com vários egos.
O foco está no processo e no feeling.
Não estou aqui a desconsiderar os avanços da tecnologia, aliás sou um grande usuário da mesma. Só acredito no correto uso dela. Assim como qualquer outro produto do desenvolvimento humano as aplicações dependem sempre do aplicador.
Tanto é verdade que Francesco diz "...a cozinha será o lugar de encontro para as soluções inteligentes e o centro das soluções."

Então mais do que nunca a ecogastronomia vai ao lado para auxiliar toda essa revolução de atitudes e processos. Sabiamente, Morace, encerra essa conclusão dizendo que "tudo será vivido pensando no

compartilhamento - da sustentabilidade e do feeling".


pense....

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Espiriteira

Caramba!, o frio chegou! As pessoas estão assustadas com a brusca queda de temperatura.. Coisa pouca, Londrina umas das cidades mais quentes do Paraná, sob o Sol se está a cerca de 10ºC. A temperatura no lado de lá [leia-se de cima] da linha do Equador sobe, sobe e agora está atingindo a faixa dos 25º e continuará a subir até que chegue a um calor insuportaval a vinda sana se extingua.

Você saberia me dizer qual o resultado das seguintes coisas: uma espiriteira, fogo, queijo, vinho?


1


2


3


4


5


e lá vai..

Se você pensou em Fondue, acertou. Talvez você tido dificuldades de indentificar justamente porque eu substitui a palavra RECHAUD [leia-se richô] pelo equivalente em português: espiriteira.
Quem nunca comeu fondue que levante a mão! Esse frio inspira e o FONDUE é Suiço, assim como os queijos mais famosos do mundo. Justamente por isso é que o fondue original é feito com uma mistura de queijos derretidos [geralmente: com os queijos Gruyère, Vacherin e Emmental] e um bom vinho.
Aí vai uma boa receita para você fazer um fondue diferente na sua casa.
Tempo de preparação: 15min

Ingredientes:

400 g de queijo gruyére ralado
200 g de queijo emmenthal ralado
1 dente de alho sem casca partido ao meio
1 xícara (chá) de vinho branco
1 colher (chá) de suco de limão
2 colheres (chá) de maisena
4 colheres (sopa) de leite
4 colheres (sopa) de vodca
3 pitadas de pimenta-do-reino
1 pitada de noz-moscada

Modo de Preparo:

Esfregue o alho na parte interna de uma panela própria para fondue. Coloque o vinho e o suco de limão e leve ao fogo até amornar. Reduza o fogo, junte os queijos e mexa bem até começar a derreter. Adicione a maisena dissolvida no leite e continue a cozinhar, mexendo sem parar, em movimentos na forma de 8 para o queijo não ficar em ponto de fio. Acrescente a vodca, a pimenta e a noz-moscada e misture por mais 2 minutos, ou até ficar cremoso. Transfira a panela para o fogareiro e leve à mesa. A fondue deve continuar a ferver. Sirva com pedaços de pão, de preferência os de casca dura, como o pão italiano. Espete-os no garfo próprio para fondue e mergulhe no queijo.


ENJOY!

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Ouça o programa da semana passada!


SLOW FOOD MANUAL


Se NÃO você conhece uma das organizações mais inteligentes do mundo, já deveria estar por dentro.
Saiba mais sobre o que é o SLOW FOOD! para baixar o manual completo em pdf. clique aqui!

VALE A PENA LER!!!!

"O Slow Food está comprometido com a proteção dos
alimentos tradicionais e sustentáveis de qualidade, dos
ingredientes primários, na conservação de métodos de
cultivo e processamento e na defesa da biodiversidade
tanto de espécies cultivadas como silvestres.
O Slow Food sustenta que a única forma de agricultura
que pode oferecer uma perspectiva de desenvolvimento,
especialmente para as regiões mais pobres do mundo,
é aquela baseada na sabedoria de comunidades locais
em harmonia com os ecossistemas que as cercam.
O Slow Food protege locais de valor histórico, artístico
ou social que formam parte da nossa herança
alimentar, reconhecendo a história e a cultura de cada
grupo social conforme esta interage dentro de uma rede maior de trocas recíprocas. Alimentar-se é um ato agrário e consumidores informados e exigentes se tornam co-produtores. Para eles, o alimento deve ser bom, limpo e justo.

Bom … significa apetitoso e saboroso, fresco e capaz de estimular e satisfazer os sentidos.

Limpo … significa produzido sem exigir demais dos recursos da terra, seus ecossistemas em meio-ambiente e sem prejudicar a saúde humana.

Justo … significa respeitar a justiça social, o que significa pagamento e condições justas para todos os envolvidos no processo, desde a produção até a comercialização e consumo. Ao treinar nossos sentidos para compreender e apreciar o prazer que o alimento proporciona, também abrimos nossos olhos para o mundo."

[fonte: SlowFood Manual, faça seu download aqui: clique]