Deguste

manga na cozinha é um blog vinculado à coluna da rádio Uel.fm
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quarta-feira, 22 de julho de 2009

Dilma e meu risotto,,

A revistona do maninho de Walter Salles [leia-se Piauí] é pró Dilma, aquela do no little finger. A corrida à chefia do país varonil acabou por influenciar minha comida que até a postagem anterior estava em stand by. Estive away das minhas criações por um dia. Não aguento. Carne fraca.
Vontades políticas, articulações governamentais, momentos de prisão e vida de cárcere, ditaduras e Médici mexeram na minha cuca. Comecei a ler a reportagem "MARES NUNCA DANTES NAVEGADOS", por Luiz Maklouf Carvalho, na mesma revistassa e naquele mesmo instante uma sementinha de algo novo me cutucou. Reguei com anos 70 do Brasil, uma espécie de biografia da candidata ao Planalto e suas aspirações artísticas até antes para mim desconhecidas e Puf! nasceu a coragem de me meter a besta nas malditas duas bocas sem termostato do fogareiro elétrico aqui do apart hotel. Eita fogareirinho sofrido. A challange! Saltaram colunas vertebrais de ovinos do congelador, vinhos, damascos, raspas de limão tahiti, linhaça, água mineral natural, flor do sal, pimenta do reino, azeite de oliva, cebola, alho e manteiga e o ingrediente X: xarope libanês de damasco; bom para ca-ra-lho.
Articulei os ingredientes ao som de Art Tatum, pianista que considero um semi-deus e há quem diga que quando o ouviam ao vivo sentiam uma presença divina, e servi.
Ele serviu para uma certa redenção da minha pessoa para comigo mesmo. Éramos em dois na peleja: eu e meu ego. Carinha chato esse segundo.
Mamãe estava em casa e entrou na onda. Risotto com aspecto marrom carvalho em tons médios, brilhante, disposto no centro do prato branco. Dei belas borrifadas do xarope libanês e sobre as partes nas quais o xarope se acumulou coloquei minuciosamente sementes de linho. Borrifadas de azeite aqui e ali, um pouco de raspas de limão tahiti, lascas de damascos e então pimenta do reino.
-Estranho... [longa pausa para entender o que acontecia na sua boca] Mas bom! - disse minha irmã que chegou depois e preparei-a um prato. - Adorei. Diferente. É mel? Tem laranja? Ahn?!
-Bê, tem canela? Isso é damasco? Que tem aqui? Mel?
Foi diferente e de gosto complexo. Me redimi. Ufa!

Caricatura da Ministra Dilma Rouseff, para a coluna semanal Sentenças, editoria de Opinião do jornal Zero Hora de Porto Alegre. Publicado em 11 de maio de 2008. Aquarela sobre papel.

terça-feira, 21 de julho de 2009

Sans réserve!

Estou um desastre. Uma zica se abateu sobre mim. Depois da noite com o Zica ontem acordei imprestável. Juro! E fui cozinhar belo e saltitante e feliz. Vi i vongoli na geladeira e também alguns mariscos. Opa! Peguei um pacote de 500g de Fettuccine da marca Paganini e não sei o aconteceu. Não se foi a água dei vongoli ou talvez a água em baixa temperatura, mas a massa ficou mole, nem chegou a ficar al dente. Não...fiquei puto. Os frutos do mar estavam otimos. No ponto. Mas aquela massa não. Infeliz. Não acertei cozinhar MACARRÃO? FETTUCCINE? Pô. Sacanagem. Fiquei abismado. Comemos eu e mamãe. O gosto satisfez, mas massa mole é nojento. Éca. Dormi para organizar a mente e resolvi assistir No Reservations ou Sem Reservas, em português.
Fui fazer pipoca de microondas e adivinha? Não. Não queimei. Mas o raio da pipoca ficou murcha! Murcha!!!! Não estouraram nem a bela metade. Comi e enxi de sal. Ora, meu caro Bernardo. Tu tá zicado. Fizeram macumba, mandinga, magia negra, voodoo na minha gastronomia. Estou confuso. Sem reservas para esses dias. Férias da cozinha. Sarò "lontano" dalla cucina per alcuni giorni; motivi: siccurezza mia e del palato altrui.

domingo, 19 de julho de 2009

Peter and his famous stone soup!


Nos tempos de garoto em Curitiba ouvia sempre papai me contar histórias fantásticas e extasiantes sobre o tempo em que ele, bravamente, serviu o exército e sofreu as terríveis coerções militares, hoje associadas ao período da ditadura em Terra Brasilis.
Me chocava cada vez em que ele, nato contador de estórias, dizia que nos momentos de tensão e condições extremas de treinamento deveria comer, para sua [sobre] vivência, sopa de casca e árvore e/ou de pedra.
Aquilo me chocava.
Dizia que teve de [caçar] matar galinhas na floresta.
Galinhas silvestres? Nunca vi mais gordas. Pouco eu sabia naquele tempo. Engraçado! Talvez seja uma transa entre uma codorna graúda e uma galinha diminuta. Fuc!, Fuc!, Fuc! e então Puf! Galiorna!
Papai caçou e comeu galiornas.
Mas e as pedras? Possível?
Segundo minhas modestas pesquisas internéticas ele deve ter encontrado o mais matuto dos seres campestres; aquele criado pelo feliz casamento artístico de Camargo Guarnieri + Mário de Andrade: Pedro Malazarte, mineiro lentamente genial.
A carina¹ história da Sopa de Pedra de Pedro Malazarte é genial. Esse minerín [ele era mineiro, certo?!] encontrava-se em um vilarejo onde as crianças não comiam sopa nem que vacas tossissem. Malandramente conseguiu a atenção das crianças e pediu-as para ajudarem a preparar a famosa sopa do Pedro M.
-Peguem vegetais das hortas, crianças! - disse às crianças. - Bem como também a límpida água da nascente do rio e o principal ingrediente: pedras redondas. Se me trouxerem ovais, retangulares ou triangulares rejeitá-las-ei.
Ui!
Mano a mano² que les infantes³ traziam pedras quase redondamente perfeitas, Malazarte inventava um motivo para rejeitá-las. Genial! Com o infindável ir e vir dos pequeninos a real fome ia emergindo. Isso me lembra a história da Dona Cucanha [outra estória de papai].
Quando finalmente a sopa ganhou cor com os vegetais, som com as pedras no fundo e a cantoria de Pedro, ele disse:

"Minha sopa de pedra
tem melhor sabor...
Boto legume da horta,
só pra dar cor...
Verdura fresquinha,
um bocadinho só...
Boto água do rio,
prá ficar melhor."4

Adivinhem! Sucesso! Terá papai degustado sopa como essa? Outro dia, sempre com isso na cabeça, acabei por saciar-me [virtualmente] com uma reportagem que explicou tim tim por tim tim sobre a famosa sopa de pedras do interior do México! Bah!, achei aquilo fodamente rústico e muito provavelmente saboroso!
Se bem me lembro era na parte central do México [precisão zero!, deerrr...] onde os homens preparam essa delícia. A fazem para "forçar'' suas mulheres a descansarem dos trabalhos caseiros. Que amores! Pegam uma cabaça com uns bons 25cm de diâmetro, e dentro dispõem macias e tenras postas de um bom peixe [acho que robalo]. Depois um bocadão de coentro, pimenta tipo dedo-de-moça picadinha sem sementes, salsinha, pedaços grosseiros de cebolas [roxa e branca], sal, água limpa do rio, camarões graúdos, sumo de limões, e por fim pedras.
Saca aquelas pedras de rio "boleadas" pelo constante fluxo da água? Ecco! Eles as deixavam na brasa QUENTÍSSIMA por um tempo razoável e então colocavam cerca de 3 pedras por cabaça para cozinhar a mistura.
Algo primitivo e simples. Mulheres em coro:
-STONE SOUP!, STONE SOUP!, STONE SOUP!

¹ significa agradável, saborosa, gentil.
² é uma expressão equivalente à na medida que.
³
do francês e significa as crianças.
4
fonte http://letras.terra.com.br/bia-bedran/675222/

sexta-feira, 17 de julho de 2009

As 10 comidas mais mortais do mundo!

Copiei a matéria do site da revista Mundo Estranho. adoro isso a periculosidade gastronômica!



Quais as dez comidas mais estranhas do mundo?

por Gleydson Alves

Nosso menu exótico apresenta guloseimas de todo o mundo: macaco chinês, formiga tailandesa, canguru australiano... Esse banquete de arrepiar qualquer paladar foi elaborado com a ajuda do livro Extreme Cuisine ("Cozinha Extrema"). Vai arriscar uma boquinha?

10. ESCORPIÃO FRITO

País/Região - Cingapura

Ué, mas o escorpião não é venenoso? É, sim, mas como o bicho é cozido antes de ser frito em óleo, as altas temperaturas do preparo desencadeiam uma reação química que neutraliza o veneno. Aí, é só deglutir o bichão - inteiro mesmo, das garras até a cauda. A espécie preferida é o escorpião-negro, que é maior e tem menos veneno que o escorpião-marrom.

Curiosidade - O escorpião é um prato admirado pela maioria dos povos asiáticos. Grande parte dos países do continente degusta o pestisco usando hashi, esse par de varetas usado para levar a comida à boca.

9. FILÉ DE PEIXE VENENOSO

País/Região - Japão

O tal peixe venenoso é o fugu ou baiacu, que tem muita tetrodotoxina, um veneno dez vezes mais forte que o cianeto. Para que a iguaria não mate ninguém, o chef retira uma bolsa perto das brânquias com o veneno. Depois, ele fura a bolsa e espalha sobre a carne do peixe uma pequena dose da toxina, para provocar um certo "efeito alucinógeno" em quem come!

Curiosidade - Por causa dos riscos da ingestão do alimento, os cozinheiros e chefs de restaurantes são exaustivamente treinados até ganharem o aval para preparar o fugu para consumo. Mesmo assim, cerca de 20 pessoas morrem por ano, intoxicadas pelo veneno do peixe!

8. FAROFA DE FORMIGA

País/Região - Brasil

O inseto aparece no cardápio rural brasileiro em certas áreas do Sudeste. A variedade preferida é o içá ou saúva - uma formiga que, dizem, tem um gosto parecido com amendoim. Além de consumida em farofas, ela também pode ser torrada com tempero ou congelada para comer durante o ano. E faz bem! Como vários outros insetos, as formigas são ricas em proteína, têm baixo teor de gordura e alto teor de fósforo.

Curiosidade - Do outro lado do mundo, os chineses usam formigas para fabricar um vinho que é útil no tratamento de reumatismo e no fortalecimento dos músculos e ossos.

7. MORCEGO À CAÇAROLA

País/Região - China, Vietnã, sudeste da Ásia

Os morcegos que fazem parte do cardápio humano são os que se alimentam de frutas. Escolhidos por não serem venenosos e por sua dieta saudável, os morcegos frutívoros têm baixo teor de gordura e uma carne cuja textura é comparada à dos frangos. Além da caçarola (um guisado com carne, vegetais e batatas), outras boas pedidas (quer dizer, boas pelo menos para os povos asiáticos) são a sopa e a lasanha de morcego.

Curiosidade - Os entusiastas da carne de morcego acreditam que ela aumenta a potência sexual masculina e as chances de ter uma vida longa e feliz.

6. CANGURU AO VAPOR

País/Região - Austrália

O hábito de comer cangurus começou com os nativos australianos, que cortavam o animal em diversas partes e mandavam ver. Hoje em dia, a carne do bicho é picada e cozida em vapor, com a adição de bacon, sal e pimenta para dar um temperinho. Não sobra nada: até o rabo é aproveitado para fazer sopa! O gosto é comparado ao da carne de avestruz, uma carne vermelha bem forte.

Curiosidade - Os pratos feitos com canguru são vendidos em mais de 900 restaurantes, desde pizzarias até serviços de quarto em hotéis cinco estrelas.

5. SOPA DE CACHORRO

País/Região - Coréia do Sul, Sul da China, Hong Kong

Eis o lado polêmico da diversidade cultural: para nós, ocidentais, comer esse prato é uma tremenda cachorrada. Mas, entre os coreanos, o cão é considerado bastante energético e, de acordo com a crença, melhora o desempenho sexual dos homens. Além da carne dos au-aus, a sopa leva legumes e tem um cheiro forte, principalmente por causa do tempero - em geral, especiarias como açafrão, cravo e canela.

Curiosidade - A venda da carne de cachorro já foi proibida por causa de protestos de protetores dos animais. Mas, em países como a Coréia do Sul, a fiscalização é frouxa e muitos restaurantes continuam fornecendo o prato.

4. OMELETE DE LARVA DO BICHO-DA-SEDA

País/Região - Tailândia, China

Na China, as larvas são fritas com cebola cortada e um molho grosso ou misturadas em omelete com ovos de galinha. Se você não curtir a textura tenra do recheio, também dá para comer a crisálida, a "embalagem" da larva, que parece uma casquinha crocante tipo um salgadinho.

Curiosidade - Na Tailândia, depois de ser incluída na lista de comidas locais, em 1987, a crisálida do bicho-da-seda passou a ser adicionada às sopas na alimentação de crianças nas escolas tailandesas.

3. CÉREBRO DE MACACO

País/Região - África

Séculos antes do Indiana Jones, os africanos já cultivavam o costume de deglutir miolos de primatas. Anote o modo de preparo: primeiro, lave o cérebro (do bicho, claro) com água fria. Depois, acrescente vinagre ou suco de limão, retirando membranas e vasos sanguíneos da camada mais superficial. Conserve em salmoura e, finalmente, ponha a iguaria para cozinhar. Em todas as espécies de macaco, o órgão é rico em fósforo, proteínas e vitaminas.

Curiosidade - Prefere outros cérebros? Tente o de gorila, considerado afrodisíaco. Na áreas rurais da Europa, fazem algum sucesso os cérebros de porco, de cordeiro e de carneiro...

2. CALDO DE TURU

País/Região - Brasil

O turu é um molusco de cabeça dura e corpo gelatinoso, tem a grossura de um dedo e vive em árvores podres, caídas. Consumido na ilha de Marajó e no interior da Amazônia vivo e cru, em caldo com farinha ou em moquecas, o bichinho é rico em cálcio e tido como afrodisíaco. O gosto é semelhante ao dos mariscos.

Curiosidade - O macaco-do-mangue também é um apreciador de turu. Os caçadores sabem disso e abusam, passando pimenta no molusco. Quando o macaco come o bicho, o ardor da pimenta desorienta o primata, tornando-o presa fácil dos caçadores.

1. CARANGUEJEIRA FRITA

País/Região - América do Sul, sul da África, Austrália

É preciso muita coragem para mandar esse bichão peludo para dentro, certo? Mas no caso da caranguejeira ou tarântula, as aparências enganam. Apesar de pavorosa, a espécie não é venenosa - e é a mais consumida no mundo por ser maior que as outras aranhas. A parte mais cobiçada é o abdômen do aracnídeo. É lá que fica a maior parte da carne - na cabeça estão as vísceras e no restante do corpo não há muito mais o que comer.

Curiosidade - Os maiores consumidores de caranguejeira são os índios na América do Sul e os aborígenes na Austrália.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

celebridades entre aspas


Achei estranho e me senti tranquilo e me deu certa paz quando vi na televisão uma celebridade normal (ok, ele não é tão normal). Apareceu Roberto Carlos e tudo bem. Minhas entranhas não se revolveram. Cheguei a ouvir lamúrias de um taxista pagodeiro que não suportava mais o camaleão do Pop...
-Não aguento mais esse cara, meu! Ah!, parece que é um deus! - disse ele bravejando e fazendo uma curva que quase me fez escapar pela janela.
Minha mãe outro dia disse:
-Se alienígenas aparecessem no SHOWNERAL do Michael Jackson achariam que ele é Deus.
Ela tem razão.
Aí hoje, aqui na casa de vovó, onde tudo parece ser mais ameno, ligo a TV e nada de polêmicas absurdas e especulativas ou tensões ou possíveis acontecimentos infanto-sexuais. Somente a vida do rei brasileiro, que gosta de azul e branco, não tem um pé, que canta, é galã e coisa e tal. Sussa...
Que paz que me deu ligar a tv e não ser "obrigado" a vê-lo. Vocês sabem... o matusquela que está fazendo mais sucesso morto ultimamente do que quando estava vivo... É um DUBBLE THRILLER!!! Uma vez vivo e outra morto.
Já basta. Morreu, o ''mundo'' chorou, teve "showneral" com caixão dourado, agora deixem a crise e a gripe suína assumirem a "tranquilidade" rotineira da Rede Bobo, EssÉbeTê, Rede te vê, Recorde...
Estive bem cansado de bizarrices televisivas.
Ufa!, que alívio.

domingo, 5 de julho de 2009

Mineira e Michael Jackson


Fiquei muito contente com a matéria que vi outro dia quando navegava entre notícias gastronômicas na internet. Título: MINEIRA TRABALHOU NA COZINHA DE MICHAEL JACKSON. Raimunda Pereira de Brito, ou simplesmente Dona Remy, de 84 anos, tem sido, de certo modo, muito aclamada nas duas últimas semanas devido a morte do suposto "Rei do Pop", título que eu creio não ser universal como o de Rei do Rock, dado ao rei da pelvis... Ela diz ter sido uma espécie de babá do [falso] braquelo dançarino.
[voltando] Dona Remy, veio a me chamar a atenção, pois faz tempo que essa criatura das cozinhas brasileiras e estadunidenses cozinha para famosos e ilustres figuras do mundo político e musical. Claro, ninguém nunca tão famoso e polêmico quanto o "ex"-afro-americano M. Jackson. Mas pessoas que tiveram, e talvez ainda tenham, papéis importantes na vida das pessoas.
Disse em entrevista ao sito UAI que o "Rei do Pop": era uma pessoa divina para trabalhar junto. Cavalheiro, compreensível, paciente, divertido, tímido, como diz o americano very shy (muito tímido), e complicadíssimo para comer. Mas comia minha comida sem problema nenhum, ele gostava. Ele era muito humano.
Ela conheceu Michael quando, muito modestamente, cozinhava na casa de Quincy Jones [grandíssimo produtor musical, diga-se de passagem]. Michael estava lá e gostou da comida que ela fez e resolveu contratá-la para cozinhar nas turnês TRIUMPH [1981] e na turnê de 1984 VICTORY. Depois dessas turnês ainda trabalhou quase 20 anos para ele.
Qual terá a sido a influência de Dona Remy em Michael Jackson? Será que a comidinha dela ajudou a prolongar o estilo de vida estranho do camaleâo do Pop?

Dona Remy deveria ter sido reconhecida muito antes, antes ela foi reconhecida, porém não pela mídia imediatista. Click!, Click!, Click! e a cozinheira já encheu as panças de muita gente famosa. A lista é longa:
-Juscelino
Kubitschek, antes e depois de ser eleito(1955 a 1962). Diz que sentia que ele estava com certas dificuldades em cumprir suas metas. Será que se Dona Remy tivesse cozinhado algo mais nutritivo ou ter usado linhaça, gergelim ou açaí, por exemplo, na alimentação do JK isso, logicamente, teria contribuido para uma melhor possibilidade de raciocínio do então presidente. Isso por sua vez poderia ter ocasionado um menor crescimento da dívida externa, fator que marcou o governo de JK, e por conseguinte o Brasil teria tido a possibilidade de otimizar seus recursos economicos, sociais e ambientais, o que hoje significaria em possíveis melhores condições de vida, uma economia ainda mais sólida e um investimento maior em saúde, por exemplo. Quanta responsabilidade, hein sra. Remy?!!!
Além de Juscelino, entram na lista também:
-Paul McCartney dispensa comentários;
-Dick van Dyke, pra quem não conhece é um ator e entertainer e marcou época como o "cara-da-chaminé no filme Mary Poppins!
-Harrison Ford, quem afirma ter gostado e muito do cafezinho preparado por Dona Remy!
-Elizabeth Taylor, imortalizada pelo antologico Cleópatra;
-Quincy Jones, de quem já falei;
-Sérgio Mendes, que a levou aos EUA e foi o "responsável" pelo seu encontro com Michael;
-Sette Camara Filho, grande político brasileiro morto em agosto de 2002; e por fim
-Jânio Quadros, que pelos mesmos motivos da possibilidade dela ter feito uma melhor alimentação do então presidente, ele quem sabe não teria sido tão irresponsável diplomaticamente falando ao reestabelecer as relações políticas com a URSS e a China, que naquela época estavam em conflito com o resto do mundo por serem fortemente comunistas. Talvez o fato de ter uma cozinheira NEGRA tão boa foi o que o influenciou a nomear o primeiro embaixador negro do Brasil. Boa Dona Remy! Quem sabe também ela usou muitos frutos amazônicos, como aqueles da foto acima, na alimentação do presidente e ele se animou a criar o Parque Nacional do Xingu, uma das primeiras reservas indígenas do Brasil.
E para finalizar: talvez um belo prato meio amargo que Dona Remy preparou impeliu Jânio à proibir o biquini nas transmissões televisivas dos concursos de miss, à proibir as rinhas de galo, o lança-perfumes em bailes de carnaval e a regulamentar o jogo carteado no país. Quanta vitória!

FI-LO PORQUE QUI-LO! [o que no bom português deveria ser "fi-lo porque o quis"]

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Cena bolognese a cinque!


Para quem não estava presente foi uma pena. Eramos em 7. Dois brasileiros, eu e Mathias, e mais cinco italianos. Nicola Orlandi, Michelle Facchini, Valentina, e o amigo do Michelle cujo nome me fugiu...
O que vocês veem na foto é a belíssima mesa do jantar na minha antiga casa em Ferrara, Emilia Romagna, Itália. Quanta saudade... Os talos verdes são deliciosos, saborosos e crocantes funchos [erva-doce] que depois seriam submersos num denso molho feito com azeite de oliva extra-virgem de Bari-Bitonto misturado com sal grosso e pimenta do reino moida na hora. Chama-se pinzimonio.
Acompanhava também uma leve salada de cenouras com sumo de limão siciliano, aquele azeite absurdamente saboroso e um pocuo de sal e pimenta do reino.
As estrelas da noite eram 3 vinhos:
1-Nero d'Avola, 2004, Sicilia. Graduação 13,5%. Vinicola Antica Tindari
2-Sangiovese di Romagna, 2006, Lugo di Romagna. Graduação 12%. Casa Luigi Baldrati. D.O.C.
3-EST! EST! EST!, 2004, Montefiascone. Graduação 11,5%.
Bebemos que nos fartamos. Foi o primeiro jantar dos coinquilinos, o que significa os que moram juntos... Que delícia...
Nicola fez um Ragù alla Bolognese que estava de cair o queixo! Impressionante. Ele trouxe todos os condimentos da casa da sua nonna. Foram cenouras raladas finamente, a carne do açogueiro do qual ele diz ter a melhor carne para o ragù.
Essa italianada é absurdamente regional. Isso é muito positivo.
Sempre odiei cozinhar para eles. São críticos demais. Nada está bom, não está feito como a mamãe faz. Os ingredientes X, Y, Z não podem ser combinados dessa maneira e blábláblá...
Mas eis o motivo pelo qual sua cultura gastronômica ainda é a mesma de décadas atrás, arriscaria dizer séculos. Se você quiser satisfazer um italiano descubra o que ele gosta e descubra exatamente como isso é feito na sua REGIÃO, ou melhor, na sua CIDADE e execute como se Vatel fosse comê-lo.
Eis a receita para agradar um italiano... aprende-se muito com isso