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terça-feira, 25 de agosto de 2009

Lux vitae


Evelyn Torrence. Esse nome lhes diz algo? Ela ficou famosa por certo tempo. Ela se alimentava de algo estranho e até então não muito falado. Para quem não se lembra ou não a conhece, Evelyn Torrence diz alimentar-se de luz. É chocante quando ela diz em seu site que “o ser humano não precisa de comida”. Evelyn afirma que há mais de 2 anos não se alimenta de nada sólido. Eu sinceramente tenho compaixão.
A alimentação para a humanidade é extremamente importante. Tanto é verdade que esteve sempre associada às religiões e acontecimentos históricos como a própria Santa Ceia.
Porém, Evelyn não estava totalmente errada.
Luz é algo essencial quando se fala em vida. Quando se fala em alimentação e, claro, em gastronomia.

Sem luz, legumes, frutas, árvores, e plantas em geral não sobreviveriam. Não haveria pão muito menos arroz na sua mesa. Seriam trevas. Sem luz animais morreriam. Não haveria lingüiça na sua feijoada, por exemplo.
Sem luz tudo seria uma cegueira total; uma espécie de apocalipse.
A luz ajuda na conservação dos alimentos e na sua conservação também! Aí vai um exemplo:
Você sabia que a luz do Sol é um fator importante para a prevenção da osteoporose? Não? Pois bem, exposições regulares ao Sol é uma das recomendações do Ministério da Saúde para a prevenção da osteoporose.
O Ministério também recomenda a ingestão de leite e derivados, legumes verdes, cereais, frutos secos e peixes. Viva a comida, Evelyn!
E você já chegou a pensar o quanto a luz influencia na sua gastronomia? O quanto influencia no seu momento de alimentar-se?
É comprovado e você já deve ter percebido que a luz altera o seu ânimo, que lhe dá sensações térmicas.
Pense: quais são as diferenças de iluminação entre um açougue e uma típica cantina italiana? Em qual desses ambientes você preferiria comer?
A luz do tipo penumbra, sabe aquela bem aconchegante, então, ela nos faz sentir mais a vontade para comer, diz uma pesquisa da Universidade da Califórnia. Quando uma iluminação nos dá uma sensação térmica quente, nos sentimos mais tranqüilos e desinibidos e, por fim, comemos mais.
Muito diferente foi quando procurei e descobri que em Zurique, na Suíça existe um restaurante especial.

Imagine, são 20 funcionários. São todos cegos. O restaurante é completamente escuro. O dono é Jürg Spielmann, padre e 100% deficiente visual. Ele queria dar emprego aos deficientes visuais.
Com seu restaurante completamente privado de luz, Jürg descobriu que anulando um dos sentidos dos clientes, a percepção da comida viria a aumentar. Foi um completo sucesso. Espaguetes e sopas não estão incluídos no cardápio por motivos óbvios. Lá os não cegos comem com as mãos e como cegos. Nada de talheres. Lá reinam os cegos e a pura percepção do alimento na ausência da luz.

domingo, 9 de agosto de 2009

erre i esse otto!

para ouvir o programa desta semana e acompanha com o texto, sinta-se a vontade para ouvir AQUI.


É praticamente unânime a opinião dos famintos.

-Adoro risotto! - dizem as pessoas.

-Ah!, eu também como!

-Eu gosto com tomate seco!

-Ah!, não. Prefiro o meu com carne seca e catupiry!

Tudo bem, tudo bem... Tem pra todos.

A cremosidade em multi sabores faz a gente ir a loucura. Tem tantas combinações quanto um sanduíche pode dar. São infinitas possibilidades de sabores.

Mas o que caracteriza um risotto? O que é um risotto? Será que o que você está comendo REALMENTE é um risotto?

O risotto, basicamente, é considerado um RISOTTO quando é utilizado o arroz arbóreo.

O grão em si é mais graúdo e rechonchudo que o arroz do dia-a-dia. É o arroz adequado para absorver todos os sabores dedicados.

Deve ter muito sabor e ter também texturas e cores diferentes.

Você pode compor um risotto com cogumelos, carnes, peixes, legumes, frutas.

Tudo fica bom se bem harmonizado.

Ele é quente ou frio, substancioso, denso e mui saboroso.

Na internet você pode achar boas idéias e sugestões para você criar o seu.

Ele pode ser salgado, amargo, azedo e até doce!

Pode servi-lo como entrada, salada, como prato principal e até como sobremesa.

Risotto doce é uma delicia,

Quem diz não ao risotto que atire a primeira pedra!

Para compor o seu risotto basta seguir os passos e variar em cima da base.

Mas nunca, nunca pode esquecer-se da qualidade do caldo.

O caldo será aquilo que dará a base para o seu próprio show!

Em um tanto d'agua e coloque um maço de cheiro verde, salsão amarrados em um barbante.

Também cenoura em rodelas, um cubo de gosto desses de galinha, carne ou bacon.

Carnes e muitos temperos podem fazer parte desse caldo.

Cozinhe o seu arroz nessa água saborosíssima até o ponto “al dente”.

“Al dente” é o ponto em que o arbóreo não está cozido demais nem de menos.

Perdeu a consistência farinhenta de dentro e ganhou brilho.

Antigamente na Italia onde foi criado o risotto, não existia cubinhos de sabor.

Diz a lenda que em Milão, na Itália, um certo nobre teve uma birra com o seu mestre em fabricação de vidros. Esse mesmo mestre muito irritado com as chatices do nobre milanês resolveu armar uma peça.

Em uma festa do grande nobre de Milão o mestre vidraceiro conversou com o cozinheiro chefe. Lá na cozinha o convenceu a por açafrão no arroz.

Deve ter sido desesperador para aquele membro da corte ver um arroz amarelo sendo servido aos seus convidados. O açafrão era usado pelo mestre vidraceiro para tingir os vidros de amarelo.

Os convidados ousaram a experimentar o arroz amarelo e adoraram.

Essa lenda urbana do século 16 atribuiu o risotto como prato típico de Milão. Bem como também transformou o amarelo açafrão na cor da cidade.

Aí vai uma sugestão para os risoteiros.

Nunca deixe que acrescentar um álcool ao seu risotto. Pode ser conhaque, brandy. Dê preferência ao vinho pois ele tem uma gama de aromas e sabores mais complexa. Ele trará sofisticação ao seu prato.

Experimente fazer um risotto de açafrão. A cor é fantástica e o sabor único. Você se sentirá em Milão.