Deguste

manga na cozinha é um blog vinculado à coluna da rádio Uel.fm
.
acompanhe meu TWITTER por aqui!

terça-feira, 27 de abril de 2010

Feijoada a moda sua, vinicius!


Feijoada à Minha Moda

Vinicius de Moraes


Amiga Helena Sangirardi
Conforme um dia prometi
Onde, confesso que esqueci
E embora — perdoe — tão tarde


(Melhor do que nunca!) este poeta
Segundo manda a boa ética
Envia-lhe a receita (poética)
De sua feijoada completa.


Em atenção ao adiantado
Da hora em que abrimos o olho
O feijão deve, já catado
Nos esperar, feliz, de molho


E a cozinheira, por respeito
À nossa mestria na arte
Já deve ter tacado peito
E preparado e posto à parte


Os elementos componentes
De um saboroso refogado
Tais: cebolas, tomates, dentes
De alho — e o que mais for azado


Tudo picado desde cedo
De feição a sempre evitar
Qualquer contato mais... vulgar
Às nossas nobres mãos de aedo.


Enquanto nós, a dar uns toques
No que não nos seja a contento
Vigiaremos o cozimento
Tomando o nosso uísque on the rocks


Uma vez cozido o feijão
(Umas quatro horas, fogo médio)
Nós, bocejando o nosso tédio
Nos chegaremos ao fogão


E em elegante curvatura:
Um pé adiante e o braço às costas
Provaremos a rica negrura
Por onde devem boiar postas


De carne-seca suculenta
Gordos paios, nédio toucinho
(Nunca orelhas de bacorinho
Que a tornam em excesso opulenta!)


E — atenção! — segredo modesto
Mas meu, no tocante à feijoada:
Uma língua fresca pelada
Posta a cozer com todo o resto.


Feito o quê, retire-se o caroço
Bastante, que bem amassado
Junta-se ao belo refogado
De modo a ter-se um molho grosso


Que vai de volta ao caldeirão
No qual o poeta, em bom agouro
Deve esparzir folhas de louro
Com um gesto clássico e pagão.

Inútil dizer que, entrementes
Em chama à parte desta liça
Devem fritar, todas contentes
Lindas rodelas de lingüiça


Enquanto ao lado, em fogo brando
Dismilingüindo-se de gozo
Deve também se estar fritando
O torresminho delicioso

Em cuja gordura, de resto
(Melhor gordura nunca houve!)
Deve depois frigir a couve
Picada, em fogo alegre e presto.


Uma farofa? — tem seus dias...
Porém que seja na manteiga!
A laranja gelada, em fatias
(Seleta ou da Bahia) — e chega


Só na última cozedura
Para levar à mesa, deixa-se
Cair um pouco da gordura
Da lingüiça na iguaria — e mexa-se.


Que prazer mais um corpo pede
Após comido um tal feijão?
— Evidentemente uma rede
E um gato para passar a mão...


Dever cumprido. Nunca é vã
A palavra de um poeta...— jamais!
Abraça-a, em Brillat-Savarin
O seu Vinicius de Moraes


Texto extraído do livro "Para viver um grande amor", Livraria José Olympio Editora - Rio de Janeiro, 1984, pág. 97.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Paradoxo imbecil...


Muito vamos a restaurantes. Muito adoramos comer aquilo que a principio não queremos cozinhar ou simplesmente não sabemos fazer. E lá vamos nós a pagar por isso.

Nos arrumamos, emperiquitamos, arrumamos uma companhia e uma cara de importante.

Pagamos pela localização e estacionamento, pelas conveniências. Pagamos pela primeira abordagem e pelo gentil “Boa noite, senhor!”.

Pagamos também pelo atendimento, que anda por ai beirando o descaso. Como se estivéssemos fazendo um favor de estar ali. De estar ali dispostos a um verdadeiro “até a próxima”.

Pagamos muito também por aquilo que não consumimos. Pagamos o desnecessário e nem percebemos.

É um paradoxo imbecil. Pagamos pelos sushis mal feitos em churrascarias bem freqüentadas. Quem é a criatura que vai a assim chamada melhor churrascaria de Londrina para comer sushi? Sushi em churrascaria. Contratam um sushiman. Pagam o sushi man. E quem paga o infeliz do sushiman? Você. Comendo sushi ou não.

Você vai ao tradicionalíssimo restaurante italiano e tem cuzcuz marroquino e prime rib. Você come o tal do prime rib achando que é uma carne de primeira porque é PRIME. Prime rib nada mais é do que um corte americano.

É um corte de 3 ou 6 costelas - retirado do lombo central do boi, da 6ª a 11ª vértebras (6a a 8ª sem gordura e 9ª a 11ª com gordura), incluindo o noix e a costela (osso) com 25cm.

Com toda essa verborréia qualquer um pagaria 30 reais.

É como comer alcatra em Los Angeles.

Pagamos, muita vezes, por aquilo que nos fazem acreditar que vale a pena. É uma pena.

Os restaurantes estão como meretrizes. Fazem e vendem de tudo para ganhar você, assim abrindo demais as pernas. Vale tudo mesmo. E no final você vai lá e paga. Satisfeito com o serviço e com a comida. Comida esta que pode nem ter sido gostosa, mas como estava barata e você ganhou uma balinha, um sorriso e um “boa noite, senhor!” valeu a pena.

terça-feira, 6 de abril de 2010

Salsichas ou Soylent Green?

Em homenagem as salsichas industriais desde Mundo!

ai vai o link para o TeuTubo http://www.youtube.com/watch?v=8Sp-VFBbjpE

lindo!

eis a Receita do Soylent Green Cookie (direi que está é uma metaformização do processo industrial da salsicha - que diga-se de passagem não é tocada por mãos HUMANAS...uuuu)

1º Recrute gentilmente alguns voluntários pacíficos bem tenros



















2º Assente-os confortavelmente na esteira que os levará a conhecer o processo final. enjoy the ride!


















3º Então depois de um processo, que será revelado somente em 2022, temos os deliciosos e nutritivos e secos e verdes e BIZARROS : Soylent Green Cookies!
























Hip Hip, HURRA! habemus biscoitum nojetis (latim - rs...)