
O ambiente da cozinha trás que tipo de sentimento a você? Qual a sensação que primeiro se manifesta no seu coração ao ter de entrar na cozinha e preparar algo? Ter que chegar lá ferver uma aguinha, cozinhar umas batatas e fazer um purê simples.
Te dá medo? É indiferente? Você fica felizão e vai logo se anima frita bifes, ovos, lava umas alfaces e faz uma bóia bacana... Ou mesmo você não é muito afim de uma cozinha e prefere um delivery?
Vejo que nossa interação com a cozinha está mudando gradativamente. Nos séculos passados a cozinha era um lugar puramente voltado para a serventia. Não se comia formalmente em um ambiente que poderia cheirar a alho refogado.
Cozinhava-se e então era servido na sala de jantar, Buffet ou a inglesa. Os cozinheiros mal eram vistos, salvo os casos do consagrados mestres cucas parabenizados pelos convidados.
Com o tempo e a grande urbanização as moradias subiram de preço e ficaram menores. Tivemos de nos readequar. Nos adaptarmos a realidade das cidades, dos apartamentos, opa APERtamentos.
Casas menores, apartamentos menores e mais caros trouxe a idéia das casas americanas dos anos 50 e 60 ao mundo ocidental. Pensamos: porque precisamos isolar a cozinha e a própria dona de casa, do resto da família. Façamos um grande ambiente amplo que una o paizão na TV e a mãe na cozinha.
Eu diria que “o cozinhar” como atividade de interação familiar e social teve sua popularização mais ou menos nesta época. Na qual não era mais preciso um chef ou cozinheiro ser contratado para a satisfação de todos.
Os próprios convidados cozinhavam para si mesmos. Interagiam e isso é lindo! É algo que me dá arrepios! Fantástico!
Surgem hoje as confrarias, clubes, jantares e festas de babettes entre amigos e familiares. Vejo que, por exemplo, na casa de minha avó a cozinha é serventia ainda. É para preparar o alimento e levar a sala. Ocorre no máximo um lanchinho íntimo entre os íntimos. Na geração de minha avó dos anos 40 e 50 a cozinha era ainda grande, mas não era ambiente de confraternização.
Fazia-se jantares nababescos, mas não na cozinha.
Vejo minha vida mais feliz por ver pessoas mais dispostas a estar em cozinhas. A cozinhar e a aprender sobre cozinha. Ter intimidade com a cozinha. Amar a cozinha. A sua história. Isso tudo ainda prensado entre a rotina e a preguiça.
Agora se você, ouvinte conseguir se meter as vezes a cozinhar na sua rotina, AMÉM! Um viva a você! Um viva a você que é capaz de fazer qualquer coisa. Basta não ter vergonha, nem medo e saber que não existem mistérios na cozinha, somente falta de prática e paixão!
Continua semana que vem...
